Sunday, February 27, 2011



INSÔNIA


A noite... O tédio. A vida passando....

A areia do tempo escorrendo por entre os dedos.

O mundo sobre os ombros pesando

A insatisfação com sexo barato

(a custo de alguns drinks e a promessa de esquecimento).

A incompetência na realização do ato

Pois é necessário esquecer tudo e viver o momento

Mas não é fácil esquecer tudo e de mim mesmo também

E até que eu preciso de alguém.

Esquecer que neste corpo magro tem vida,

Espírito e tudo mais que eu não sei o que é.

Esquecer que nos outros, também tem.

Lembra apenas de respirar pausadamente

Entorpecido, com o coração batendo num compasso diferente.


Gostaria de não querer mais amar

De só querer a luxuria

De querer apenas me perder na noite e na vida

Com meu corpo ardendo de desejo e fúria

E como quem não tem saída

Ser levado na correnteza do asfalto

Pro meio de um oceano absurdo e sem limites

Náufrago, sem um pedaço de qualquer coisa pra me agarrar.

Mas neste instante os ruídos do silencio enchem minha alma de tedio

E a noite é uma companheira triste

Que fuma seu cigarro pra compensar o orgasmo que não sentiu.

Deixo ela quieta no seu canto, não vou perturbá-la com minha luxuria.


Queria mesmo era viver uma experiência mística,

Qual a uma gota d’agua confundindo-se com o um imenso oceano.

Ou talvez libertar minha alma que já não cabe neste corpo raquítico,

Mas nada disso eu posso neste instante.

Sei que é preciso cair nos braços de Morféu

E deixar que ele me transporte pelo caminho mais curto

Para um novo dia que já não é meu.

No entanto resisto bravamente pra espremer minha alma

Até cair no papel gotas amargas com cheiro de enxofre.


A liberdade me conduz madrugada adentro

Pra que o dia me veja como um sonambulo

E o sol da manhã me cobre o preço de ama-la tanto


Quanto do meu tempo é meu? Não sei...

Só sinto que o meu tempo é meu

Quanto percebo que estou vivo

E isso é tão angustiante

A existência é mesmo algo medonho,

Mas nela é preciso mergulhar fundo


Quero quatro pés redondos e de borracha

Pra girar pelo mundo

Quero a mão no volante

Correr em qualquer direção,

Nem preciso de muito dinheiro

Ou de qualquer companhia constante,

Bastaria uma transa em cada parada

E muito espaço pra ficar sozinho,

Contemplando a solidão da estrada

Como quem não tem nada a fazer

Ou de nada precisa pra viver.

4 comments:

cleiton said...

Este poema escrevi a poucos dias,em mais uma dessas madrugadas que o sono não vem.

Unknown said...

Não é plágio não?! Então tá bacana!!!

cleiton said...

Não há nada de plagio neste poema, acredite.

"Aracy Marques" said...

Os poemas revelam a alma e a solidão do poeta...