
INSÔNIA
A noite... O tédio. A vida passando....
A areia do tempo escorrendo por entre os dedos.
O mundo sobre os ombros pesando
A insatisfação com sexo barato
(a custo de alguns drinks e a promessa de esquecimento).
A incompetência na realização do ato
Pois é necessário esquecer tudo e viver o momento
Mas não é fácil esquecer tudo e de mim mesmo também
E até que eu preciso de alguém.
Esquecer que neste corpo magro tem vida,
Espírito e tudo mais que eu não sei o que é.
Esquecer que nos outros, também tem.
Lembra apenas de respirar pausadamente
Entorpecido, com o coração batendo num compasso diferente.
Gostaria de não querer mais amar
De só querer a luxuria
De querer apenas me perder na noite e na vida
Com meu corpo ardendo de desejo e fúria
E como quem não tem saída
Ser levado na correnteza do asfalto
Pro meio de um oceano absurdo e sem limites
Náufrago, sem um pedaço de qualquer coisa pra me agarrar.
Mas neste instante os ruídos do silencio enchem minha alma de tedio
E a noite é uma companheira triste
Que fuma seu cigarro pra compensar o orgasmo que não sentiu.
Deixo ela quieta no seu canto, não vou perturbá-la com minha luxuria.
Queria mesmo era viver uma experiência mística,
Qual a uma gota d’agua confundindo-se com o um imenso oceano.
Ou talvez libertar minha alma que já não cabe neste corpo raquítico,
Mas nada disso eu posso neste instante.
Sei que é preciso cair nos braços de Morféu
E deixar que ele me transporte pelo caminho mais curto
Para um novo dia que já não é meu.
No entanto resisto bravamente pra espremer minha alma
Até cair no papel gotas amargas com cheiro de enxofre.
A liberdade me conduz madrugada adentro
Pra que o dia me veja como um sonambulo
E o sol da manhã me cobre o preço de ama-la tanto
Quanto do meu tempo é meu? Não sei...
Só sinto que o meu tempo é meu
Quanto percebo que estou vivo
E isso é tão angustiante
A existência é mesmo algo medonho,
Mas nela é preciso mergulhar fundo
Quero quatro pés redondos e de borracha
Pra girar pelo mundo
Quero a mão no volante
Correr em qualquer direção,
Nem preciso de muito dinheiro
Ou de qualquer companhia constante,
Bastaria uma transa em cada parada
E muito espaço pra ficar sozinho,
Contemplando a solidão da estrada
Como quem não tem nada a fazer
Ou de nada precisa pra viver.