Monday, March 26, 2012


DEPOIS DO VERÃO

A você, dei a mão
E tudo mais que era preciso.
Acreditei numa ilusão
E fiquei no prejuízo.
Agora me vejo perdida no presente
Que você me deu.
E quando abro os olhos
Está tudo escuro
Não vejo o futuro
Que você prometeu.

Era verão no meu coração,
Acreditei num amor eterno
Que morreu por falta de calor
Quando chegou o inverno.

Meu bem, cansei de você
E se quer saber
Não me peça calma
Se teu fogo
Já não queima meu corpo
Nem aquece minha alma
Não tem amanhã ou depois
Nem mesmo “um talvez”,
Acabou pra nós dois
Foi a ultima vez.
Eu quero outra vida,
Seja lá como for.
Eu quero outra vida,
Sentir outro calor.
Cleiton da silva

Lucro e Prejuízo

Meu medalão da paz
Minha pusseira de couro
Por uma coleira de seda
E um relogio de ouro

Meu chão era asfalto e arreia
Hoje é carpete e lajota
Troquei fome por barriga cheia
Mas me sinto idiota

Meu veleiro de sonho encalhou
Não tenho tempo pra sonhar
Mesmo que pelo computador
Possa todas as contas pagar

Babe, não se esqueça de mim
E mande pelo e-mail o teu sorriso
Sei que ele vai me distrair
Enquanto equaciono lucro e prejuízo

Saturday, March 17, 2012

Hoje dia quem defende um posicionamento politico fundamentado em bases teóricas não é considerado coerente, mas sim extremista, ou ainda pior: alguém que não reconhece as limitações da "realidade objetiva e do pragmatismo atual".
O politico de sucesso é populista e apela para a ignorância do povo. Assim esvaziamos o discurso politica daquilo que em outras épocas era necessário, ideias. Por isso fica difícil concordar com que diz Luísa Helena, "a ideologia é o caráter do politico" quando vemos que os mais bem sucedidos são os que ficam pulando de um lado pro outro e mudado de ideias toda vez que for conveniente, são umas metamorfoses ambulantes num sentido em que nem Raul Seixas aprovaria.
Mesmo assim, apesar de tudo, ainda há muitos no meio do povo com o espírito aquecido pela chama da esperança. É por elas e com elas que devemos lutar.

Sunday, March 04, 2012

O último discurso

de “O Grande Ditador”

Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: “Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, ms dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de faze-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!

Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!

Saturday, January 21, 2012

Dez Razões Para não "colar" na escola!

A mania de colar tornou-se quase universal entre nossos alunos e estudantes. Há um consenso coletivo favorável à cola, do primário à universidade. Penso que não podemos nos acomodar ao mal nem perder a esperança de encontrar uma solução para os problemas. Apresento a seguir algumas razões pelas quais não se deve colar:

Primeira: porque é feio e deselegante chegar à universidade sem o gosto de estudar. Quem cola não tem amor à cultura nem senso do dever e responsabilidade pelo bem comum. Quem passa colando é uma pessoa despreparada, irresponsável e até perigosa socialmente. A cola é a ética do jeitinho e do levar vantagem em tudo em nível escolar.

Segunda: porque a cola é uma mentira, isto é, apresento uma coisa como minha, mas na verdade é de outrem. Estou dizendo sim para uma coisa que na verdade deveria dizer não. É próprio da inteligência tender para a verdade. A cola é uma ofensa à inteligência e à verdade. É uma das tantas corrupções já internalizadas na consciência estudantil.

Terceira: porque cola é um roubo, apresento como meu e como minha sabedoria aquilo que é esforço do outro. Acostumar-se a colar é acostumar-se a usar o que é dos outros. A infidelidade nas coisas pequenas prepara a infidelidade nas grandes, como: infidelidade à palavra dada, infidelidade à consciência. Não posso ter mérito nem diploma quando sei que não estudei e, portanto, não mereço credibilidade, porque não sei a matéria e o tema exigido.

Quarta: porque a cola fomenta “a lei do menor esforço” e a preguiça. O esforço e o sacrifício são necessários para a formação de uma personalidade sadia, pois quem semeia vento colhe tempestade. Devemos nos educar para a fidelidade e não para a facilidade.

Quinta: porque a cola é um perigo social contra o bem comum. O engenheiro que passa colando pode ser a causa do desabamento de um prédio, de uma ponte, etc., ninguém quer ser operado por um médico que passou colando, nem aceita como advogado aquele ou aquela que foi incapaz de defender sua real ignorância colando dos outros.

Sexta: porque a cola leva ao desperdício do tempo. A psicologia do colador é esta: posso divertir-me, ver televisão à vontade, jogar futebol, namorar, etc... Porque na prova saberei dar um “ jeitinho”. Com isso se esbanja a preciosidade do tempo, consagra-se a mediocridade e justifica-se desde cedo a desonestidade.

Sétima: porque a cola aumenta a já calamitosa superficialidade e ignorância cultural. O nível de estudo e cultura só tende a diminuir e com ele aumenta a falta de cultura que é um perigo social. A cola nos desobriga a pensar. A cola é uma alienação cultural, um atraso.

Oitava: porque a filosofia da cola impede o avanço cultural do povo, favorece o analfabetismo. Pelo costume da cola, a “massa jovem” continua alienada, desligada e sem a ciência e a cultura que revolucionou um povo.

Nona: porque a cola vem confirmar a tese dos que dizem ser a escola uma instituição alienante. A mania de colar pode ser sintoma de uma filosofia educacional decadente e falaz. É preciso rever a modalidade de avaliação de nossas escolas.

Décima: porque o professor que incentiva ou aprova a cola não é um educador. Tal comportamento é desonesto e contra a ética profissional. Religiosamente falando, a cola é um pecado de mentira, preguiça, roubo, irresponsabilidade.

Dom Orlando Brande-bispo de Joinville-SC

Monday, July 04, 2011


Faz pouco mais de um ano que voltei à Salinas para morar. Cresci nesta cidade e gosto muito dela. Quando criança, vim trazido por aquele vento que costuma conduzir os nordestinos para outras terras (uns para o sul, outros para o norte) em busca de sobrevivência. Passei anos morando aqui e cresci na praia, como muitos meninos da minha época, vendendo bugigangas, servindo os “barões” e aprendendo com a vida que além de bela ela também é central do Brasil. Eu caminhava na praia de ponta a ponta vendendo camisas com estampas de paisagem da cidade e chapéus enfeitados com búzios. Enfrentado o vento e o sol quente. Dos 14 aos 19 anos de idade, era magrelo de um jeito que não sei como o vento leste não me levava.

O vento que me levou foi outro. E esse me fez ver outros mundos, outras possibilidades e eu fui me agarrando as que pareciam oportunas. E essas oportunidades me levaram e me trouxeram de volta um pouco mudado, a final de contas o tempo muda e com ele também mudamos, pra melhor ou pra pior ou nenhuma coisa nenhum outra, apenas mudamos e isso parece ser bom. Do contrário a vida seria um marasmo, uma calmaria, sem ondas o mar perde sua graça e assim também é a vida. De vez em quando uma tempestade é até bom.
O que realmente me importa é o fato de que agora estou aqui novamente. E já que estou aqui vou aproveitar pra marcar presença mesmo que seja “riscando os muros”. Há sentimentos que precisam ser expressos, principalmente por também serem sentidos por outros. Por isso vou fazer deste espaço uma janela para lançar do meu quarto ao cyber espaço uma pobre prosa carente de atenção. Quero periodicamente trazer ao público textos curtos que reflitam sobre qualquer coisa do cotidiano, algo que possam chamar de crônica. Dizem que escrever crônica é falar do seu próprio tempo. Então eu vou fazer um esforço imenso para que de vez em quando tenhamos aqui algumas linhas que reflitam sobre o nosso tempo. Espero que deste esforço resulte algo que mereça um mínimo de atenção.

Quero escrever com simplicidade, clareza e um pouco de poesia. Esforçando-me para expressar emoções que não se deve manter trancadas no peito. Pois é preciso liberta-las, fazer com que explodam no ar como fogos de artifícios iluminando o céu cinzento ou na praça pública aterrorizando como um coquetel molotov. Se possível, quero viver os dois extremos, dizendo as verdades que eu sinto e eu sei que isso às vezes perturba as pessoas. Sei que também precisamos ser incomodados de vez em quando e nem só de coisas belas vivem as ciências e as artes. Os chafarizes encantam os olhos e os esgotos levam a sujeira embora, cada um tem sua importância, ou seja, precisamos tanto do Feio quanto do Belo.
Quero falar sobre o nosso tempo, que é esta areia fina e úmida que não conseguimos reter entre os dedos enquanto nadamos contra ou a favor da corrente. O tempo passa pra todo mundo, inevitavelmente, e um dia ele inevitavelmente também acabará pra todo mundo. A grande questão é o que fazemos do nosso tempo e de que forma marcamos nossa presença no mundo. Quais impressões digitais ficam na cena do crime? Não busco, com isso, a imortalidade literária, tão pouco a grande estima do público. Busco apenas exercer minha liberdade. Por isso entre a ficção e a realidade quero segui dizendo coisas, afirmando umas, negando outras, questionando sempre que achar necessário e cometendo alguns excessos enquanto me permitirem, quando não me permitirem mais eu caio fora. Afinal de contas, o excesso é também um caminho para a libertação, meio torto, mas é um caminho. E nós precisamos tanto de liberdade, a juventude principalmente.

Saturday, April 02, 2011

A MINHA CRENÇA


Eu acredito na humanidade, principalmente na juventude. São os jovens que tem a vontade de mudar o mundo. Vontade que se revela principalmente através da rebeldia, mesmo quando essa rebeldia parece inconsequente ou insensata.

Não falo de jovens na idade cronológica, mas de jovens de espirito, libertários o suficiente pra não se deixarem amadurecer ao ponto de cair do galho na lama podre da corrupção.

A juventude sonha e a juventude deseja um mundo diferente com liberdade e justiça. Um jovem sem ideais já nasceu velho. E um jovem que abre mãos de seus ideais por uma vidinha mais ou menos confortável, sem incômodos, sem aborrecimentos, sem inimizades, principalmente com os donos do poder, é sem dúvida um jovem que se corrompeu, um velho na pele de jovem. A mansidão e a passividade não são coisas da juventude.

Há muitas formas de corrupção e muitas formas de corromper e de ser corrompido. No entanto o espirito jovem é o que tem mais força pra resistir. Vejo diariamente casos e mais casos de corrupção sendo descobertos e isso me enche de esperança, parece paradoxal, mas não é. Acontece que como quase todo mundo, que tem um pouquinho de sensatez, eu já sabia que roubam dinheiro da saúde e da educação, que bandidos infiltrados na policia e no sistema judiciário negociam nossa segurança com outros bandidos. E o que me enche de esperança então? A resposta é simples: eles não estão absolutamente imunes à ação daqueles que não se deixam corromper e desejam ardentemente fazer com que a justiça prevaleça. Quem realiza estas ações é geralmente o sangue novo que o sistema, mesmo a contra gosto, tem que absorver.

Salinas não é tão diferente do resto do mundo. Aqui também temos uma juventude de espírito rebelde e inquieto e que por conta disso, se incomoda com a podridão desses que há muito tempo caíram do galho. Mas não basta se sentir incomodado. É preciso que esta juventude acredite em si mesma como a única alternativa possível de mudança. Só quem realmente quer, deseja e sente a necessidade de mudança pode fazer a mudança do jeito que ela deve ser feita.

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Sunday, February 27, 2011

A um Beato

Lá vem você outra vez
com simbolos celeste
e gotas de sangue redentor.
Mas de onde vieram tais venenos?
Se não do corpo e da terra?

És tão piedoso,
comove se com minha dor.
Não estou infermo!
Devo muito, mas... E daí?
Estou vivo, vivendo...Sentindo

Se quer saber que sou,
minha alma é turva.
Nada verás além da superficie.
Ao menos que queira mergulhar fundo
e inda assim verás apenas com o tato,
o mais carnal sentido da carne.

profecia

As estrelas de Davi e de Hitler
Brilham no céu
É meia noite em nossa existência
E temos sede de relâmpagos.

Sei que ainda há de vim
Um verbo forte que, feito carne,
Posto entre a cruz e a espada
Levantará a foice e o martelo.

Desta vez será diferente
Marcharemos com todas as cores
Cantando a mesma canção

Desta vez será para sempre
Marcharemos de cabeça erguida
E com os pés no chão


CAMISETA AMARELA

"Uma coisa é um país
outra um ajuntamento"
(Afonso Romano de Santana)

Pobre camiseta amareladas,
um farrapo abandonado,
tocou numa camisa branca
queria ganhar um trocado
e deixou manchado
o belo e alvo pano
bruto como só é capaz
o cruel ser humano
um “não” esbravejou o rapaz
Sendo curto grosso e hostil
Só a camisa interessa
Ao bruto asno imbecil

A camisete amarela
Imergiu na multidão
Foi ouvi pra outras bandas
A mesma exclamação
Não sabem os homens de bens
Os donos da situação
Que a vitima de hoje
Amanhã pode ser o vilão

Ó patria armada, mãe hostil
Quem foi que viu
Que naquela camiseta amarela
Estava escrito Brasil?

Estava escrito brasil...
Mas escrito com graxa
Com graxa preta como a pele de que a vestia
E na palavra negra
Por ser negra tinha poesia
Dizia a mais puras das verdades
Verdade que o povo não ouvia
Gritava com o seu silencio
Que toda beleza e magia
Do esnobe boa vida
Que na vida só vadia
Custa caro, e muito
A quem pagar não devia
Custa a dor de esperar
Por um futuro que se distancia.

(Este poema foi escrito há muito tempo, no penúltimo ano do século XX. Foi concebido numa noite quando uma imagem tocou fundo em minha alma. Da concepção ao parto não foi mais que um dia, pois na tarde do dia seguinte terminei de parir esta cria.)


A Pátria

Hoje pode ser a penas pasto,
mas já foi mata do Carú,
lá onde deixei meu pequeno rastro
de conga azul.

Ao estrondo do tambor de couro
os pássaros se agitavam na mata escura.
E eu, pequeno patriota, feliz e orgulhoso
marchava em plena abertura

Íamos todos, saltando riachos,
seguindo a bandeira.
Eu no pilotão da escola,
meu pai de meião e chuteira
no pilotão da bola.

Outros sete de setembro passaram
alguns marchei de tênis,
nunca de chinelo
e sempre com ardente paixão
pelo parvilhão verde amarelo.

Mas hoje, irado poeta,
com uma alma violenta, inquieta,
quero a todo e a cada momento
soltar o meu verbo no vento.

Vou dizer aos quatro cantos
com todo o meu desencanto
que não irei mais a praça
fazer parte da faça,
da vivas a Brasil.
Não quero mais fazer pouco caso
do nosso esplicito descaso
ainda vivo e dois mil
não vou mais tanger nossa esperança
que sepre sera criança
em desfile estudantil.

Não vou mais aplaudir
nenhum palanque oficial
onde hienas arreganham os dentes
com discursos reticentes
sobre a merda nacional

Fodam-se os ufanistas
da patria armada, mãe hostil!
Sei que meus versos marginais
cairão sagrando num terreno baldio
(poema escrito em Capanema, as vésperas do dia da pátria do ano de 2000)


INSÔNIA


A noite... O tédio. A vida passando....

A areia do tempo escorrendo por entre os dedos.

O mundo sobre os ombros pesando

A insatisfação com sexo barato

(a custo de alguns drinks e a promessa de esquecimento).

A incompetência na realização do ato

Pois é necessário esquecer tudo e viver o momento

Mas não é fácil esquecer tudo e de mim mesmo também

E até que eu preciso de alguém.

Esquecer que neste corpo magro tem vida,

Espírito e tudo mais que eu não sei o que é.

Esquecer que nos outros, também tem.

Lembra apenas de respirar pausadamente

Entorpecido, com o coração batendo num compasso diferente.


Gostaria de não querer mais amar

De só querer a luxuria

De querer apenas me perder na noite e na vida

Com meu corpo ardendo de desejo e fúria

E como quem não tem saída

Ser levado na correnteza do asfalto

Pro meio de um oceano absurdo e sem limites

Náufrago, sem um pedaço de qualquer coisa pra me agarrar.

Mas neste instante os ruídos do silencio enchem minha alma de tedio

E a noite é uma companheira triste

Que fuma seu cigarro pra compensar o orgasmo que não sentiu.

Deixo ela quieta no seu canto, não vou perturbá-la com minha luxuria.


Queria mesmo era viver uma experiência mística,

Qual a uma gota d’agua confundindo-se com o um imenso oceano.

Ou talvez libertar minha alma que já não cabe neste corpo raquítico,

Mas nada disso eu posso neste instante.

Sei que é preciso cair nos braços de Morféu

E deixar que ele me transporte pelo caminho mais curto

Para um novo dia que já não é meu.

No entanto resisto bravamente pra espremer minha alma

Até cair no papel gotas amargas com cheiro de enxofre.


A liberdade me conduz madrugada adentro

Pra que o dia me veja como um sonambulo

E o sol da manhã me cobre o preço de ama-la tanto


Quanto do meu tempo é meu? Não sei...

Só sinto que o meu tempo é meu

Quanto percebo que estou vivo

E isso é tão angustiante

A existência é mesmo algo medonho,

Mas nela é preciso mergulhar fundo


Quero quatro pés redondos e de borracha

Pra girar pelo mundo

Quero a mão no volante

Correr em qualquer direção,

Nem preciso de muito dinheiro

Ou de qualquer companhia constante,

Bastaria uma transa em cada parada

E muito espaço pra ficar sozinho,

Contemplando a solidão da estrada

Como quem não tem nada a fazer

Ou de nada precisa pra viver.