Monday, July 04, 2011


Faz pouco mais de um ano que voltei à Salinas para morar. Cresci nesta cidade e gosto muito dela. Quando criança, vim trazido por aquele vento que costuma conduzir os nordestinos para outras terras (uns para o sul, outros para o norte) em busca de sobrevivência. Passei anos morando aqui e cresci na praia, como muitos meninos da minha época, vendendo bugigangas, servindo os “barões” e aprendendo com a vida que além de bela ela também é central do Brasil. Eu caminhava na praia de ponta a ponta vendendo camisas com estampas de paisagem da cidade e chapéus enfeitados com búzios. Enfrentado o vento e o sol quente. Dos 14 aos 19 anos de idade, era magrelo de um jeito que não sei como o vento leste não me levava.

O vento que me levou foi outro. E esse me fez ver outros mundos, outras possibilidades e eu fui me agarrando as que pareciam oportunas. E essas oportunidades me levaram e me trouxeram de volta um pouco mudado, a final de contas o tempo muda e com ele também mudamos, pra melhor ou pra pior ou nenhuma coisa nenhum outra, apenas mudamos e isso parece ser bom. Do contrário a vida seria um marasmo, uma calmaria, sem ondas o mar perde sua graça e assim também é a vida. De vez em quando uma tempestade é até bom.
O que realmente me importa é o fato de que agora estou aqui novamente. E já que estou aqui vou aproveitar pra marcar presença mesmo que seja “riscando os muros”. Há sentimentos que precisam ser expressos, principalmente por também serem sentidos por outros. Por isso vou fazer deste espaço uma janela para lançar do meu quarto ao cyber espaço uma pobre prosa carente de atenção. Quero periodicamente trazer ao público textos curtos que reflitam sobre qualquer coisa do cotidiano, algo que possam chamar de crônica. Dizem que escrever crônica é falar do seu próprio tempo. Então eu vou fazer um esforço imenso para que de vez em quando tenhamos aqui algumas linhas que reflitam sobre o nosso tempo. Espero que deste esforço resulte algo que mereça um mínimo de atenção.

Quero escrever com simplicidade, clareza e um pouco de poesia. Esforçando-me para expressar emoções que não se deve manter trancadas no peito. Pois é preciso liberta-las, fazer com que explodam no ar como fogos de artifícios iluminando o céu cinzento ou na praça pública aterrorizando como um coquetel molotov. Se possível, quero viver os dois extremos, dizendo as verdades que eu sinto e eu sei que isso às vezes perturba as pessoas. Sei que também precisamos ser incomodados de vez em quando e nem só de coisas belas vivem as ciências e as artes. Os chafarizes encantam os olhos e os esgotos levam a sujeira embora, cada um tem sua importância, ou seja, precisamos tanto do Feio quanto do Belo.
Quero falar sobre o nosso tempo, que é esta areia fina e úmida que não conseguimos reter entre os dedos enquanto nadamos contra ou a favor da corrente. O tempo passa pra todo mundo, inevitavelmente, e um dia ele inevitavelmente também acabará pra todo mundo. A grande questão é o que fazemos do nosso tempo e de que forma marcamos nossa presença no mundo. Quais impressões digitais ficam na cena do crime? Não busco, com isso, a imortalidade literária, tão pouco a grande estima do público. Busco apenas exercer minha liberdade. Por isso entre a ficção e a realidade quero segui dizendo coisas, afirmando umas, negando outras, questionando sempre que achar necessário e cometendo alguns excessos enquanto me permitirem, quando não me permitirem mais eu caio fora. Afinal de contas, o excesso é também um caminho para a libertação, meio torto, mas é um caminho. E nós precisamos tanto de liberdade, a juventude principalmente.