Sunday, February 27, 2011


CAMISETA AMARELA

"Uma coisa é um país
outra um ajuntamento"
(Afonso Romano de Santana)

Pobre camiseta amareladas,
um farrapo abandonado,
tocou numa camisa branca
queria ganhar um trocado
e deixou manchado
o belo e alvo pano
bruto como só é capaz
o cruel ser humano
um “não” esbravejou o rapaz
Sendo curto grosso e hostil
Só a camisa interessa
Ao bruto asno imbecil

A camisete amarela
Imergiu na multidão
Foi ouvi pra outras bandas
A mesma exclamação
Não sabem os homens de bens
Os donos da situação
Que a vitima de hoje
Amanhã pode ser o vilão

Ó patria armada, mãe hostil
Quem foi que viu
Que naquela camiseta amarela
Estava escrito Brasil?

Estava escrito brasil...
Mas escrito com graxa
Com graxa preta como a pele de que a vestia
E na palavra negra
Por ser negra tinha poesia
Dizia a mais puras das verdades
Verdade que o povo não ouvia
Gritava com o seu silencio
Que toda beleza e magia
Do esnobe boa vida
Que na vida só vadia
Custa caro, e muito
A quem pagar não devia
Custa a dor de esperar
Por um futuro que se distancia.

(Este poema foi escrito há muito tempo, no penúltimo ano do século XX. Foi concebido numa noite quando uma imagem tocou fundo em minha alma. Da concepção ao parto não foi mais que um dia, pois na tarde do dia seguinte terminei de parir esta cria.)

2 comments:

João Pinheiro Alves said...

Kabelo, quero postar a sua "camiseta amarela" no meu humilde blog. Tudo bem?

cleiton said...

Sem problema, só exijo que informe o nome do autor.